Há alguns dias li uma matéria da revista Época, compartilhada em meu facebook por um amigo da pós e um dos professores que admiro muito, li o texto com atenção, e antes de iniciar este post, voltei a ler para clarear o que eu gostaria de discutir. Sugiro que você leia o texto completo aqui.
A matéria inicia explicando o que aconteceu numa formatura de uma das melhores escolas dos Estados Unidos, Wellesley High School. O professor que deveria exaltar os formandos, como de praxe, no modelo escolar americano, preferiu discursar algo mais provocante e porque não dizer, algo mais realista.
“Vocês não são especiais” disse o professor inglês David McCullough Jr. nove vezes em treze minutos de discurso.
Nossa sociedade vive o tempo do nascisismo a flor da pele, quer exemplo melhor do que o facebook, twitter e instagran. Demandamos atenção a cada post, twett, foto ou compartilhamento feito nas redes sociais. No texto da Época, o psicólogo Keith Campbell diz “Eles precisam entender que seus filhos são especiais para eles, não para o resto do mundo” e consigo perceber que isso é muito verdade.
Posso usar como exemplo próprio, meu filhos nasceu em 20/06/2012, tem familiares meus que ainda não o conhecem, amigos próximos que nem sequer lembram que ele já nasceu, as vezes isso me incomoda, mas deve incomodar o meu EU, pois o Nico tá pouco se fod**** para isso…rs… Eu tenho a lucidez de parar e pensar “o Nico é MEU filho, não de um amigo ou parente, ele é importante para mim e não deve ser regra para os outros”.
Cobrar atenção para o meu filho, de pessoas que tem suas vidas, desejos, objetivos diferentes, rotinas e etc, chega a ser infantil da minha parte. Me policio sempre para evitar que o meu narcisismo ferido, seja um problema para mim. Mas partindo desse ponto, porque será que eu consigo(as vezes hahaha) controlar esse tipo de sentimento? Por que existem pessoas que se acham(e até apostariam alto nisso) que estão um patamar acima do restante?
- “Em português, inglês ou chinês, esses filhos incensados desde o berço formam a turma do “eu me acho”. Porque se acham mesmo. Eles se acham os melhores alunos (se tiram uma nota ruim, é o professor que não os entende). Eles se acham os mais competentes no trabalho (se recebem críticas, é porque o chefe tem inveja do frescor de seu talento). Eles se acham merecedores de constantes elogios e rápido reconhecimento (se não são promovidos em pouco tempo, a empresa foi injusta em não reconhecer seu valor). Você conhece alguém assim em seu trabalho ou em sua turma de amigos? Boa parte deles, no Brasil e no resto do mundo, foi bem-educada, teve acesso aos melhores colégios, fala outras línguas e, claro, é ligada em tecnologia e competente em seu uso. São bons, é fato. Mas se acham mais do que ótimos.”

A má educação em casa prejudica ainda mais o desenvolvimento desses jovens “cheios de si” no mundo real, o conhecido lugar que “você chora e a sua mãe não vê”. Minha mãe diz que devemos criar os filhos para o mundo, estou começando a entender o que ela tentou(ou não) dizer.
- “O narcisismo pode levar ao excesso de confiança e a uma sensação fantasiosa sobre seus próprios direitos”
Não me entendam mal, não estou dizendo que você não deve dar carinho, chamego e atenção para seu filho(a), pelo contrário, a base para um futuro sujeito decente é uma boa infância, mais deve-se impor limites, creio que essa palavra LIMITE, resume os cuidados que devemos tomar para educar nossos filhos.
Por pior(ou melhor) que seja, temos que aprender a dizer e mantér que NÃO É NÃO. A base deve ser de confiança, respeito e amor. Ontem a minha professora da pós, disse uma frase que achei genial(+/- assim) “Lidar com a frustação é mais fácil do que lidar com o sucesso”, penso que deve ser mais fácil, pois a frustração se mantém sozinha, já o sucesso sobrecarrega o sujeito e fora a responsabilidade narcísica de “perder o que se conquistou, o que lhe é de direito”.
- “Sally Koslow, uma jornalista aposentada, chegou a essa conclusão depois que seu filho, que passara quatro anos estudando fora de casa e outros dois procurando emprego, voltou a morar com ela. “Fizemos um superinvestimento em sua educação e acompanhamos cada passo para garantir que ele tivesse sua independência”, diz ela. “Ao ver meu filho de quase 30 anos andando de cueca pela sala, percebi que deveria tê-lo deixado se virar sozinho.”
Pais negligentes ou parentais? Qual seu estilo de educação? Você ajuda a criança lidar com as situações de frustação, explica os motivos de impor limites a determinados pedidos ou opta por deixa a culpa de trabalhar fora a semana inteira te dominar, o medo de ser o pai repressor, e realiza todos os desejos do pimpolho como se fosse o gênio da lampada mágica, não aguenta ouvir um choro manhoso que já cede aos desejos do “pequeno terrorista”. Educar realmente é difícil, mas é algo que não devemos delegar, mãos a obra que ainda podemos mudar a maneira de lidar com nosso pequenos.
Mas o outro lado da moeda também existe, a psicóloga britânica Judith Harris diz que “Os pais assumem que ensinaram a seus filhos comportamentos desejáveis. Na verdade, foram seus genes”.
O receio bate a porta e quer entrar, mas creio que com bom senso, afeto, carinho e crítica pessoal, farei um bom trabalho… e se não fizer, não tem problema, vou para o lado da genética e digo que a culpa são dos meus genes!
=D